O Brasil segue entre os países mais visados por cibercriminosos no mundo — e os números de 2026 mostram que a pressão sobre as empresas brasileiras continua aumentando. Levantamentos divulgados nas últimas semanas apontam mais ataques, mais casos de ransomware e prejuízos recordes com vazamentos de dados. Reunimos os principais dados e o que eles significam para a sua empresa.
Mais de 4 mil ataques por semana em cada empresa
Segundo o relatório mensal da Check Point Research, em setembro de 2026 cada organização no Brasil sofreu, em média, 4.086 ataques cibernéticos por semana — um crescimento de 50% em relação a setembro de 2025. O número é bem superior à média global, de 2.803 ataques semanais por organização.
A América Latina continua sendo a região mais atacada do planeta, com média de 3.813 ataques semanais por organização. O mesmo levantamento mostra que 1 a cada 91 e-mails analisados foi classificado como phishing e que 1 a cada 39 prompts enviados a ferramentas de IA generativa nas empresas apresentou alto risco de vazamento de dados sensíveis.
Ransomware: Brasil sobe para o 3º lugar no ranking mundial
Enquanto o número global de vítimas de ransomware caiu em setembro (de 1.212 em agosto para 881), o Brasil foi na direção oposta: passou de 27 para 31 vítimas registradas, alta de quase 15%, e subiu da sexta para a terceira posição no ranking global, segundo dados da plataforma Ransomware.live, da Cohesity. O país foi o único entre os oito mais atingidos a registrar aumento no período.
Vale lembrar que esses números consideram apenas as vítimas expostas publicamente pelos criminosos — empresas que resolvem o incidente em silêncio não entram na conta, o que indica que o total real tende a ser maior.
Prejuízo médio recorde: R$ 7,44 milhões por vazamento
O estudo Cost of a Data Breach 2026, da IBM, divulgado em outubro, mostra que o custo médio de uma violação de dados no Brasil chegou a R$ 7,44 milhões, o maior valor da série histórica e 3,5% acima do ano anterior. O setor de saúde lidera, com custo médio de R$ 12,55 milhões por incidente.
No Brasil, o phishing e os ataques pela cadeia de suprimentos (fornecedores e parceiros) foram as causas iniciais mais comuns. O uso de ferramentas e sistemas sem controle da TI — o chamado Shadow IT — elevou o custo médio de cada violação em mais de R$ 720 mil.
Mercado de cibersegurança em expansão
Diante desse cenário, as empresas estão investindo mais em proteção. De acordo com a Peers Consulting + Technology, o mercado brasileiro de cibersegurança deve encerrar 2026 movimentando cerca de US$ 4,05 bilhões, alta de 10% sobre 2025, com projeção de chegar a US$ 6,56 bilhões em 2031.
O que sua empresa pode fazer agora
A boa notícia é que a maioria dos ataques explora portas de entrada conhecidas. Algumas medidas fazem grande diferença:
- Mantenha firewall, VPN e sistemas atualizados. Falhas em equipamentos de borda e VPNs estão entre as rotas preferidas dos grupos de ransomware. Um firewall UTM bem configurado e com atualizações em dia é a primeira barreira.
- Proteja as identidades. Use autenticação em dois fatores (MFA), senhas fortes e revise permissões de acesso — credenciais roubadas são hoje uma das principais formas de invasão.
- Tenha backup isolado e testado. Os criminosos tentam apagar ou criptografar as cópias de segurança. Um backup na nuvem fora do ambiente da empresa e com testes de restauração garante a recuperação.
- Treine as equipes contra phishing. O e-mail continua sendo a porta de entrada mais comum; colaboradores atentos bloqueiam boa parte dos ataques.
- Defina regras para o uso de IA. Oriente o time sobre quais ferramentas podem ser usadas e quais dados nunca devem ser inseridos nelas.
- Monitore o ambiente continuamente. Com monitoramento de TI 24×7, comportamentos suspeitos são detectados antes de virarem um incidente.
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Fontes: Check Point Research – relatório de inteligência de ameaças de setembro de 2026; Cohesity/Ransomware.live (via Inforchannel, 09/10/2026); IBM – Cost of a Data Breach 2026 (via Canaltech e Convergência Digital, outubro de 2026); Peers Consulting + Technology (via Broadcast, maio de 2026).